Política
Três pré-candidatos, uma disputa ainda aberta e muito faro eleitoral em jogo
Pesquisas recentes mostram Allyson à frente, mas os números escondem fragilidades de todos os lados.
O Rio Grande do Norte a pré-campanha começa a esquentar. Três nomes seguem como protagonistas da disputa pelo Palácio de Despachos: Allyson Bezerra (União Brasil), Álvaro Dias (PL) e Cadu Xavier (PT). Cada um com seus ativos. Cada um com suas contradições.

ALLYSON LIDERA, MAS NÃO CONVENCE
Pesquisa do Instituto Seta, realizada entre os dias 31 de março e 2 de abril de 2026, com 1.500 eleitores, aponta Allyson Bezerra liderando com 39,4% das intenções de voto no cenário estimulado.
Na espontânea – aquele que mede o que o eleitor pensa sem ser induzido -, o percentual cai para 29,5%, o que já revela que parte da força de Allyson depende do reconhecimento do nome, não necessariamente de adesão convicta.
O problema estrutural do ex-prefeito de Mossoró é político, não eleitoral. Seu palanque é sustentado pelas duas mais antigas e tradicionais oligarquias do Rio Grande do Norte: Maia e Alves. Sua campanha será coordenada pelo ex-senador José Agripino Maia, que governou o RN por três vezes.
Allyson, como sempre fez e joga duplamente, tenta se vender como alternativa ao lulismo e ao bolsonarismo, mas carrega nas costas exatamente o passado que diz querer superar. Difícil ser “o novo” quando os velhos controlam sua agenda.

ÁLVARO APOSTOU NA POLARIZAÇÃO E PODE ESTAR CERTO
O pré-candidato Álvaro Dias afirmou que a disputa estadual de 2026 deve ser marcada pela polarização ideológica entre direita e esquerda, e que neste cenário, em um eventual segundo turno, aceitaria o apoio de Allyson Bezerra. Aqui a declaração é reveladora, pois Álvaro já se posiciona para o segundo turno antes do primeiro. Seria uma aposta calculada?
Na pesquisa Veritá, realizada entre 29 de março e 4 de abril de 2026 com 1.220 eleitores, Álvaro aparece como o nome mais lembrado espontaneamente, à frente de Allyson e Cadu, e tecnicamente empatado na liderança no cenário estimulado, com 27,5%. Dois institutos, dois cenários distintos. Isso por si só já diz algo sobre a fluidez desse eleitorado.
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CADU AVANÇA, MAS AINDA É DECONHECIDO
O candidato do PT parte de uma desvantagem estrutural, pois nunca disputou uma eleição. Em entrevista recente, Cadu Xavier classificou Álvaro Dias como “representante da extrema direita” e Allyson Bezerra como “bolsonarista enrustido”, elevando o tom da pré-campanha e deixando claro que sua estratégia passa pela polarização ideológica.
A tática tem lógica. Se a eleição virar um duelo entre esquerda e direita, Cadu precisa ser o polo esquerdo mais reconhecível. Os dados mais recentes mostram Cadu reduzindo a distância e entrando de vez na briga direta com Allyson pelo segundo lugar. Mas crescer nas pesquisas é diferente de construir voto. O PT do RN sabe disso.
O que o eleitor quer e o que os candidatos oferecem
Há um descompasso evidente entre o que a população sinaliza e o que os candidatos entregam. 65% dos eleitores do RN desaprovam o governo atual de Fátima Bezerra, e 51% preferem mudanças profundas.
Isso deveria beneficiar a oposição. Mas qual oposição? Allyson é financiado pelas oligarquias de sempre. Álvaro representa o bolsonarismo local. Nenhum dos dois é exatamente “mudança”.
Cadu, por outro lado, defende continuidade num estado onde a maioria quer ruptura. O paradoxo é real.
A conclusão é que ainda é cedo. E isso importa
A eleição é em outubro. Faltam meses de articulações, convenções e definições de vice. O quadro pode mudar.
O que não muda é a percepção de que o RN chegou em 2026 sem um favorito que convença, sem uma oposição unida e com um eleitorado desconfiado de todos os lados.
Quem souber ler esse humor primeiro, leva.