
Se a célebre frase da ex-presidente Dilma Rousseff — "Não acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder. Vai todo mundo perder" parecia um enigma, o pleito deste domingo (4) no Rio Grande do Norte encarregou-se de dar-lhe sentido prático, embora com um destinatário muito claro.
A eleição no primeiro turno deste domingo, 4, serviu para desmascarar discursos triunfalistas, a começar pelo projeto político do ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra.
Durante toda a campanha, o gestor repetiu à exaustão que havia sido reeleito prefeito de Mossoró com 78% dos votos. Factualmente, não mentia. O erro estratégico estava na tentativa de induzir o eleitorado a acreditar que essa porcentagem se repetiria de forma automática em seu novo projeto político para chegar ao Governo do Estado.
A resposta veio das urnas, impulsionada pelo eleitorado mossoroense, especialmente por aqueles que amargaram a oposição, sentiram o peso da perseguição e foram às urnas dar o troco. Ao fim da apuração, Allyson obteve 56,15% dos votos, em Mossoró, consolidando um cenário que na política se resume ao ditado: além da queda, o coice.
O tropeço no próprio quintal e o fiasco dos aliados
A derrocada da estratégia ficou evidente no próprio colégio eleitoral de Mossoró. Allyson fracassou na missão de eleger sua candidata ao Senado, Zenaide Maia, que despencou para a quarta colocação no município.
O efeito dominó da rejeição se estendeu aos candidatos a deputado federal. Mesmo contando com a estrutura de peso e o apoio do prefeito de Mossoró, Marcos Medeiros, o "Matonho", além de uma tropa de vereadores aliados, nomes como Benes Leocádio e João Maia viram seus planos derraparem na cidade.
A estrutura não foi suficiente para contornar a vontade popular. Ambos ficaram amargamente nas quinta e sexta colocações, superados por nomes como Cabo Deyvison, Natália Bonavides, Marleide Cunha e Dr. Bernardo.
Na disputa para a Assembleia Legislativa, a candidata de Allyson, era sua esposa, assim como a se grupo, que precisou colar sua imagem "Cinthia de Allyson" para tentar tracionar votos, contou com a estrutura faraônica e o engajamento do prefeito "Matonho".
Embora tenha ficado em primeiro lugar em Mossoró com 32.437 votos, o resultado ficou muito abaixo dos estardalhaçados 50 mil votos que a cúpula governista jurava que a "mulher do homem" alcançaria isoladamente no município. Mais uma vez: além da queda, o coice.

O fenômeno Cabo Deyvison e o recado das urnas
Um dos dados mais sintomáticos e constrangedores para a engenharia política de Allyson Bezerra na capital do Oeste diz respeito à comparação de votos. Enquanto o prefeito obteve 82.286 votos em Mossoró, o Cabo Deyvison, contando com estrutura enxuta e sem o apoio de um único vereador, arrancou expressivos 54.707 votos no município.
A desproporção escancara o tamanho do desgaste e o divórcio entre o andar de cima da política local e o sentimento real das ruas.
No fim das contas, para quem alardeava uma vitória acachapante ainda no primeiro turno, o resultado revelou que a fatura cobrada pelas urnas foi implacável.
No Rio Grande do Norte e em Mossoró, a lição que fica é a de que a soberania popular não se rende a gabinetes, a empáfia, e quem tenta impor narrativas acaba provando do próprio veneno: além da queda, o coice.
E o que tem a frase de Dilma com isso? Quase todos que estavam com Allyson perderam, seja a reeleição ou votos. Inclusive ele.





















