
Se você perguntar por aí quem é "Matonho", muita gente vai balançar a cabeça sem saber de quem se trata. Mas basta andar pelas ruas do Planalto 13 de Maio que a resposta vem no ato: é Marcos Medeiros, hoje sentado na cadeira de prefeito de Mossoró.
A curiosidade sobre o apelido de infância serve apenas para ilustrar a origem simples de quem, de repente, se viu no comando do segundo maior colégio eleitoral do Rio Grande do Norte. O xis da questão, no entanto, não é o nome de batismo nem o apelido do bairro, mas a encruzilhada política em que ele se encontra. "Matonho" precisa decidir, e rápido, se vai continuar sob a sombra e a tutela do ex-prefeito Allyson Bezerra ou vai criar coragem para andar com as próprias pernas.
Esse momento, aliás, não é decisivo apenas para quem está na cadeira de prefeito. Será também o grande teste de fogo para o próprio "Calango" provar se tem resistência e capacidade de articulação para sobreviver nesse deserto político atual. Atravessar a seca sem a caneta da prefeitura e sem a máquina na mão é prova para poucos.
Os sinais de fumaça nos bastidores começaram a subir ainda durante o primeiro turno da campanha para o Governo do Estado. Enquanto cumpria o script e fazia campanha ostensiva para Allyson, "Matonho" teria sido visto acenando de forma reservada para profissionais da imprensa local, inclusive para nomes fora do circuito oficial do governismo.
Um desses diálogos chamou atenção nos bastidores do rádio mossoroense. Procurado de forma sutil para uma conversa pós-eleitoral, um veterano dos microfones e conhecido por não rezar na cartilha “calangueana”, deixou a porta aberta, embora o encontro cara a cara ainda não tenha se concretizado.
O movimento, por mais tímido que pareça, acendeu o alerta em quem acompanha a política local. Nos corredores do Palácio da Resistência, o clima que se vende para fora nem de longe reflete a tensão que se vive por dentro.
A ordem velada entre os cargos comissionados hoje é a cautela extrema. "Até quem tem cargo de confiança pisou no freio na hora de defender o ex-prefeito, com medo de sobrarem exonerações caso o vento mude de direção", soprou o mesmo radialista.
Se o diagnóstico das fontes do rádio estiver correto, "Matonho" já começou a fazer a conta de somar. A outra matemática de Mossoró. Para quem deseja construir um projeto de reeleição com autoridade e voto próprio em Mossoró, viver eternamente como sombra de padrinho político é o primeiro passo para o apagão público.
Agora, resta saber se "Matonho" terá cacife e pulso para bancar essa independência ou se o Palácio continuará sendo governado por controle remoto.













