
O Supremo Tribunal Federal vive o capítulo mais tenso de sua história recente, e a próxima terça-feira, 15, promete ser o dia em que a República inteira vai parar para assistir ao plenário decidir o futuro da Corte. Convocada às pressas pelo presidente Edson Fachin, a sessão extraordinária marcada para as 10h é a tentativa definitiva de estancar uma crise institucional sem precedentes.
Tudo gira em torno da famosa Petição 16.662. Foi justamente ali que o ministro André Mendonça jogou luz sobre as conversas em visualização única entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, figura central no maior escândalo bancário dos últimos anos, e o ministro Alexandre de Moraes.
Entre os diálogos revelados, a pergunta feita por Vorcaro a Moraes sobre a conveniência de deixar o país pouco antes de sua prisão virou o estopim de um verdadeiro incêndio político.
A situação escalou de vez quando a guerra de decisões individuais tomou conta dos gabinetes. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, acabou afastado por Mendonça, mas logo foi reintegrado por Flávio Dino. Diante desse choque de poderes dentro do próprio tribunal, Fachin resolveu puxar a tomada, suspendendo todas as medidas isoladas para que os dez ministros decidam, ao vivo e em conjunto, o rumo de tudo.

Para complicar ainda mais o tabuleiro, o sigilo foi derrubado e um verdadeiro acervo em HD, recheado de relatórios da Polícia Federal, foi despachado para a mesa de cada ministro. Nos bastidores, os blocos de votos já começam a se desenhar entre os aliados de Moraes e os defensores do material apresentado por Mendonça, enquanto figuras como Dias Toffoli e Cármen Lúcia entram como peças imprevisíveis na balança.
Na próxima terça-feira, 15, o STF não vai julgar apenas o caso Banco Master; vai decidir se consegue fechar as feridas abertas ou se o plenário vai escancarar de vez uma crise que há muito tempo ultrapassou os limites do direito.


