Política
Quem vai na segunda vaga para o Senado com Styvenson?
Com Fátima fora da disputa e PDT lançando nome próprio, a segunda vaga virou um triângulo sem definição
O Rio Grande do Norte elegerá dois senadores em outubro. Uma vaga parece encaminhada. A outra está longe de ser definida. E a grande novidade desta semana mudou o tabuleiro do campo progressista de vez.

STYVENSON É O FAVORITO QUE VIROU PRAGMÁTICO
A pesquisa mais recente do Instituto Seta, realizada entre os dias 31 de março e 2 de abril de 2026 com 1.500 eleitores, coloca Styvenson Valentim (PSDB) em primeiro lugar com 41,7% na primeira opção de voto — uma vantagem que torna sua reeleição o cenário mais provável.
Mas o Styvenson de 2026 não é o mesmo de 2018. Estreou na política surfando na onda do antipetismo e do voto antissistema. Depois de tentar o governo em 2022 e ficar em terceiro, virou pragmático, se aproximou do establishment e passou a jogar pelas regras que antes criticava. Funcionou eleitoralmente. Custou identidade.

A GRANDE VIRADA QUANDO FÁTIMA NÃO SAI
O cenário da disputa pelo Senado girou 180 graus quando a governadora Fátima Bezerra decidiu concluir o mandato sem disputar as eleições. O que parecia certo, uma dobradinha Fátima e Styvenson dominando as duas vagas, virou campo aberto.
Com Fátima fora, o PT lançou Samanda Alves, vereadora de Natal, como candidata. Nas pesquisas mais recentes, Samanda aparece com apenas 7% das intenções de voto. É uma candidatura de missão. Ou seja, representar o legado de Fátima e manter o PT na corrida majoritária. Difícil transformar isso em cadeira.

RAFAEL MOTTA ENTRA E MUDO TUDO
O PDT oficializou o ex-deputado federal Rafael Motta como pré-candidato ao Senado, com o ex-senador e ex-presidente da Petrobras Jean Paul Prates como primeiro suplente, sob um modelo chamado de “mandato compartilhado”, em que titular e suplente dividem responsabilidades ao longo dos oito anos de mandato.
A aposta tem fundamento eleitoral. Em 2022, Rafael Motta já disputou o Senado e obteve mais de 300 mil votos em uma campanha considerada independente, sem o apoio de grandes coligações — desempenho visto dentro do PDT como ativo político relevante.
Há, porém, um lado incômodo dessa história. O próprio Rafael Motta admitiu que sua candidatura em 2022 pode ter contribuído para a fragmentação do eleitorado progressista, culminando com a vitória do senador bolsonarista Rogério Marinho. Agora ele volta, desta vez alinhado ao campo que fragmentou. A contradição existe e merece ser dita.

ZENAIDE ENTRE DOIS MUNDOS
A senadora Zenaide Maia (PSD) disputa a reeleição, mas num território de ambiguidade permanente. Embora seja vice-líder do governo Lula no Senado, Zenaide se aproximou do pré-candidato ao governo Allyson Bezerra, adversário declarado de Fátima Bezerra no campo estadual, marcando um rompimento com o PT a nível local.
Nas pesquisas, ela aparece com 19,1% na primeira opção de voto, em segundo lugar, mas num patamar que ainda não garante nada.
O QUADRO REAL
O campo da direita tem Coronel Hélio (PL), sem estrutura suficiente para ameaçar as posições à frente. O campo progressista chegou fragmentado: PT com Samanda, PDT com Rafael Motta. Se os dois avançarem divididos até outubro, o risco de se cancelarem mutuamente é real, e o RN já viu esse filme antes, em 2022.
A segunda vaga ao Senado está genuinamente em aberto. Styvenson leva a primeira quase com certeza. O segundo assento será disputado por Zenaide, Rafael Motta e Samanda, e o resultado vai depender de como os palanques ao governo se definem nos próximos meses.
Política se faz com tempo. E o tempo ainda está correndo.