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Do “pé de velame” aos gabinetes de hoje: a política do loteamento no RN

Há mais de duas décadas, um prefeito na Região Central, soltou uma pérola em entrevista que virou símbolo da política regional. Ele criticou a nomeação de um secretário de Agricultura que “não sabia nem o que era um pé de velame”.
O tempo passou, os discursos se modernizaram, mas a prática continua a mesma nas prefeituras pelo estado. Pastas vitais ainda são tratadas como moeda de troca, balcão de negócios e acomodação para aliados políticos sem a menor identificação com a causa:
Na agricultura: Nomeiam quem nunca pisou num roçado e não sabe o que é um pé de velame, deixando o agricultor sem corte de terra e sem assistência;
Na saúde: Colocam gestor que não sabe a diferença entre uma UBS e um pronto-socorro, transformando a marcação de exames em balcão eleitoral;
Nas obras: Assume quem nunca viu uma planta de drenagem, entregando calçamento que afunda na primeira chuva;
Na ação social: Indicam apadrinhados que tratam a assistência básica como se fosse “favor” ou esmola política;
No esporte e cultura: Entregam a pasta como “prêmio de consolação” para quem sobrou na coligação.
Colocar quem não entende do roçado na Agricultura, quem não conhece o SUS na Saúde ou quem ignora a realidade das ruas na gestão pública não é apenas incompetência, é falta de respeito com o cidadão que precisa do serviço na ponta.