Mossoró
Radares em Mossoró: proteção no trânsito ou indústria da multa?

Em Mossoró, um hábito curioso vem se tornando realidade nas ruas: olhar para cima. Motoristas e motociclistas seguem atentos, não ao trânsito em si. Olham para cima, não para prever chuva nem para medir o calor do sol. O motivo é outro: radar.
Nos últimos dias, o que deveria ser instrumento de segurança viária passou a ser percebido, por grande parte da população, como ferramenta de arrecadação.
Com a multiplicação de radares, muitas vezes em locais sem histórico relevante de acidentes graves, surge imediatamente uma pergunta inevitável: o objetivo é salvar vidas ou inflar cofres?
E ao que parece, a justificativa oficial costuma ser sempre a de segurança no trânsito. Mas a prática não acompanha o discurso. Falta transparência sobre critérios técnicos, estudos públicos de impacto e, principalmente, políticas educativas contínuas. O cidadão aprende pelo bolso, não pela conscientização.
Quando a fiscalização se resume à multa, o trânsito deixa de ser espaço de cuidado coletivo e passa a funcionar como modelo de negócio. O radar, nesse contexto, não educa, não orienta e tampouco previne. Ele apenas pune e arrecada.
Se segurança fosse, de fato, a prioridade, o investimento principal estaria em sinalização adequada, campanhas permanentes, melhoria das vias e engenharia de tráfego eficiente. Multar seria consequência, não estratégia central.
Enquanto isso não acontece, a sensação nas ruas passa a ser outra. A de que não se dirige com tranquilidade, dirige-se com medo. Medo não de causar um acidente, mas de ser surpreendido por mais um equipamento que transforma mobilidade em receita.
E quando o cidadão começa a enxergar o município mais como cobrador do que como protetor, algo está profundamente errado no caminho.