Política

A MIOPIA DE WALTER ALVES E O PRAGMATISMO AVASSALADOR DE ALLYSON BEZERRA

Por em 18 de junho de 2026 às 21:06:15

A corrida de bastidores para as eleições deste ano no Rio Grande do Norte desenha um cenário que desafia a lógica tradicional das alianças políticas. Há quem diga que o processo eleitoral em curso possui uma capacidade quase hipnótica, deixando eleitores e experientes caciques partidários em um estado de aparente cegueira estratégica. No epicentro dessa paralisia analítica está o MDB e, de forma muito particular, o vice-governador Walter Alves, pré-candidato a deputado estadual.

A grande contradição que se impõe nas rodas de conversa política do estado é clara: como uma legenda que indicou o deputado Hermano Morais (MDB) para a vaga de vice-governador na chapa majoritária de Allyson Bezerra (União Brasil) pode, simultaneamente, assistir ao desmonte silencioso de suas próprias bases? Se formalmente MDB e União Brasil caminham de mãos dadas rumo ao Governo do Estado, na prática das candidaturas proporcionais o clima é de canibalização territorial.

Em diversos municípios o avanço das hostes lideradas pelo ex-prefeito de Mossoró sobre os redutos e apoios históricos de Walter Alves deixou de ser um movimento de bastidores para se tornar um fato visível a olho nu. O silêncio ou a incapacidade de reação do comando emedebista diante dessa invasão de território chama a atenção de estrategistas.

Um sintoma claro desse enfraquecimento programado foi a recente desistência do Coronel Walmary Costa. O militar, filiado ao MDB, recuou de seus planos de disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte para reassumir a Secretaria de Segurança Pública de Mossoró, integrando-se à coordenação e ao projeto maior de Allyson. Uma baixa sensível no tabuleiro de xadrez proporcional do MDB, assimilada sem grandes ruídos.

Se o flanco no interior do estado já preocupa, o cenário na capital transformou-se em uma ameaça direta à sobrevivência eleitoral de Walter Alves. A movimentação que consolidou o ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo, como pré-candidato a deputado estadual, contando com a chancela e a bênção pública de Allyson Bezerra, funciona como o golpe de misericórdia na estratégia de votação do MDB na Grande Natal.

É elementar na geopolítica eleitoral potiguar que, ao entrar na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa operando na capital, Carlos Eduardo drena de forma agressiva os votos que Walter Alves necessitaria para consolidar sua eleição. 

Diante disso, a passividade com que o vice-governador “engoliu a seco” o movimento levanta duas hipóteses: ou há uma profunda vista grossa movida por pura ingenuidade, ou uma aposta arriscada de que o troco político poderá ser dado em um momento posterior.

O que o comando do MDB parece negligenciar é a própria natureza política do líder do União Brasil. A trajetória do pré-candidato ao Governo do Estado demonstra que seu projeto político é centralizador por definição: primeiro ele, segundo ele e terceiro ele. 

Esse traço, que na política tradicional costuma ser chamado de pragmatismo extremado, já foi batizado pelas ruas de forma muito mais popular.

Ao aceitar a vaga de vice na chapa majoritária com Hermano Morais, o MDB acreditou ter garantido um espaço de poder. No entanto, ao fechar os olhos para o avanço de Carlos Eduardo e para a desidratação de suas bases no interior, o partido arrisca sofrer o clássico “abraço do urso”.

Resta saber se Walter Alves possui um plano de contingência real para o pós-eleição ou se está apenas marchando, voluntariamente, para o isolamento político.

Quem melhor traduziu a essência dessa liderança foi um jovem eleitor de Mossoró, ainda durante a primeira campanha que o levou à Prefeitura de Mossoró, ecoou o grito que virou bordão e síntese de seu estilo de atuação: “Allyson, malvado!”.

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