Política
Cabo Deyvison: o fenômeno que o PL está ignorando

Na grande maioria das vezes, a engrenagem da classe política funciona olhando apenas para o próprio umbigo. O foco quase sempre está restrito ao projeto pessoal de poder e em como garantir a próxima eleição.
Até aí, nenhuma novidade, pois muitos consideram esse comportamento natural do jogo. No entanto, quando um partido, ou um grupo deles, entra em campo com o objetivo real de vencer uma eleição majoritária, o individualismo deveria dar lugar à inteligência de grupo. E é exatamente essa inteligência estratégica que parece estar em falta no Partido Liberal (PL) do Rio Grande do Norte.
Para entender o cenário atual, basta olhar friamente para o tabuleiro do estado. Hoje, o nome colocado como pré-candidato ao governo pelo grupo é o do ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias. Quando analisamos o jogo dos números e observamos as pesquisas de intenção de voto, a realidade se impõe: em raríssimos cenários ele aparece liderando.
Na maioria das vezes, Álvaro ocupa a segunda colocação, mas com um detalhe crucial: ele patina e não consegue sequer avistar o primeiro colocado na disputa. É um teto difícil de romper.
É aí que a falta de visão de grupo cobra o seu preço. O nome do momento, se o objetivo for competir de igual para igual e chacoalhar o processo eleitoral, não é o de Álvaro Dias. O nome que as ruas estão soprando se chama Cabo Deyvison, e os dados recentes servem justamente para escancarar essa realidade.
Mesmo figurando oficialmente como pré-candidato a deputado federal, Deyvison já aparece nas pesquisas como o quarto nome mais lembrado pelo eleitor potiguar, pontuando com força no meio de figuras tradicionais e parlamentares com mandato que vão buscar a reeleição.
É um desempenho espontâneo que não pode ser ignorado. Somado a esse recall político, há o peso do recente atentado sofrido pelo militar. Quer queiram, quer não, o episódio trágico acabou gerando uma enorme visibilidade pública e uma onda de solidariedade que se converte em capital político.
O teste de fogo para comprovar essa tese é muito simples e fica o desafio no ar: por que os institutos de pesquisa não colocam o nome de Cabo Deyvison nas simulações para o Governo do Estado nos próximos trabalhos de campo? Será que algum deles terá a coragem de testar o termômetro real das ruas?
Enquanto a provocação fica sem resposta, o PL do Rio Grande do Norte segue arriscando manter uma estratégia engessada, correndo o risco de ver um verdadeiro fenômeno eleitoral ser limitado aos planos proporcionais por pura miopia de liderança.