Política

QUANDO A TORCIDA SE CONFUNDE COM ANÁLISE, A REALIDADE ACABA DANDO A RESPOSTA

Por em 26 de outubro de 2026 às 14:11:16

O barulho das eleições finalmente deu lugar ao veredito. Com o fim do pleito e os resultados definidos para a Presidência, o Senado, as Câmaras e os governos estaduais, fica o rastro deixado pelos analistas de ocasião. Não apenas por aqueles que acompanham o dia a dia da política, e que também erraram feio, mas sobretudo pelos torcedores fantasiados de comentaristas nas redes sociais.

Eles não analisam o cenário com frieza. Analisam a própria paixão. Antes de comentaristas, são eleitores fervorosos, fãs incondicionais. Quando a torcida ocupa o lugar da análise, a razão perde espaço. E discutir com quem já escolheu no que acreditar costuma ser um exercício inútil. Em certos momentos, o silêncio diz mais.

Preferi o recolhimento até aqui. Contribuí com meu conhecimento quando solicitado e ajudei onde pude. Alguns chegaram lá. Outros souberam ouvir sugestões e aplicá-las com sabedoria em cada momento. Minha discrição nunca teve a intenção de apontar dedos ou distribuir certificados de acerto e erro. Cada um responde pelas próprias escolhas.

Ainda assim, chama a atenção o incômodo de quem se julgava acima da realidade. Até alguns colegas da imprensa, movidos pela paixão política, agora se desdobram em justificativas para explicar resultados que contrariaram suas previsões. O mesmo vale para institutos de pesquisa cujos números ficaram distantes do que as urnas revelaram.

A soberba das certezas absolutas perdeu força. A política real mostrou, mais uma vez, que não cabe nos recortes da internet nem nos desejos de quem confunde torcida com fato. O eleitor falou. E as urnas deixaram um recado muito claro: a paixão pode distorcer a leitura da realidade, mas o resultado não se curva às nossas preferências.

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