Política
Bastidores do 2º turno: as ligações de prefeitos e o pacto do “sem estrutura é melhor com Cadu”

O bom jornalismo também se faz revelando aquilo que acontece longe dos holofotes, mas que explica o resultado das urnas. Na reta final da eleição para o Governo do Rio Grande do Norte, os telefones do alto escalão do Centro Administrativo não paravam de tocar. E e o tom das conversas revelava a angústia dos bastidores municipais.
Na semana que antecedeu o domingo de votação, dia 25, a governadora Fátima Bezerra recebeu a ligação de aproximadamente 40 prefeitos do interior. O perfil do grupo chamava a atenção, tendo em vista que a grande maioria era formada por gestores de cidades onde o adversário, Allyson Bezerra, havia vencido no primeiro turno.
Entre dúvidas sobre rumos e apoios na reta final, a pergunta que ecoava de município em município era quase a mesma:
– Governadora, afinal, quem é que está mesmo com a candidatura de Cadu?
A resposta de Fátima Bezerra, entre uma mordida e outra na pipoca Boku’s, vinha sem hesitação, direta e pragmática:
– Eu e tu. – e sorria.
A reação dos prefeitos à resposta da governadora também não teve enrolação:
– É verdade, sem estrutura do Azulão não tem como trabalhar. Melhor é ir com Cadu pra ganhar!
A constatação foi de que a estrutura do “azulão” (como foi apelidada a caravana de Allyson) faltou fôlego e não tinha aterrissado em boa parte dessas cidades, embora tivesse feito a promessa de reforçar os palanques locais.
A anedota de bastidor traduz o sentimento de muitos líderes locais que, sem o suporte esperado da oposição na reta final, preferiram manter as pontes construídas com o Palácio de Despachos.
Na geopolítica do interior, onde o apoio de última hora define os rumos da apuração, o diálogo direto com a governadora acabou sendo o fiel da balança para dezenas de municípios.