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Chilli Beans pede recuperação extrajudicial com dívida de R$ 340 milhões

A Chilli Beans, maior rede de óculos escuros e acessórios da América Latina, deu um passo decisivo para reorganizar as suas finanças: a empresa entrou oficialmente com um pedido de recuperação extrajudicial. O objetivo principal da medida é renegociar uma dívida aproximada de R$ 340 milhões acumulada com instituições financeiras e investidores.
Para garantir o funcionamento das suas operações e a continuidade do negócio durante todo o processo de reestruturação, o plano prevê a entrada de R$ 50 milhões em novos recursos (dinheiro novo no caixa), que serão injetados por credores para servir como capital de giro.
Como funciona a renegociação?
A medida é focada exclusivamente nos débitos financeiros. Na prática, a renegociação cobre apenas os bancos e investidores, deixando de fora fornecedores e colaboradores da marca. Vale destacar que a Chilli Beans conta atualmente com uma estrutura gigante, somando cerca de 900 franquias distribuídas por 14 países.
O estopim da crise
A pressão sobre o caixa da companhia aumentou consideravelmente no final de setembro, quando a Vert Securitizadora declarou o vencimento antecipado de uma dívida de R$ 89 milhões, exigindo o pagamento imediato de títulos que venceriam originalmente apenas em janeiro de 2029.
A cobrança antecipada ocorreu após a controladora da marca deixar de quitar as parcelas dos meses de julho e agosto, que somavam R$ 16,5 milhões. Apesar de os credores terem prorrogado os prazos para tentar apoiar a empresa, os pagamentos não foram efetuados. O pedido de recuperação extrajudicial chega dois meses após os bastidores do mercado revelarem que a documentação para a reestruturação já estava sendo preparada.
Cenário do varejo nacional
Em nota e comunicados oficiais, o CEO e fundador da marca, Caito Maia, atribuiu parte das turbulências financeiras ao momento desafiador enfrentado pelo varejo brasileiro. Com a decisão, a Chilli Beans entra para a lista de grandes redes de varejo (como Casas Bahia, Tok&Stok e Ri Happy) que também recorreram a mecanismos de reestruturação de dívidas.
Próximos passos
Ao contrário da recuperação judicial tradicional, a recuperação extrajudicial é um processo mais célere. Agora, o plano elaborado precisa ser aprovado pela maioria dos credores envolvidos. Assim que houver o consenso, o acordo é encaminhado para homologação na Justiça, permitindo que a empresa siga com a operação sem parar as atividades das suas lojas.