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Do veneno ao mel: a fábrica de extorsão que virou o “jornalismo” das redes?

Existe uma prática na comunicação que ganhou uma maquiagem moderna e digital. Basta abrir o Instagram ou pesquisar no Google para ver o surgimento desenfreado de blogs e perfis de notícias que nascem com um propósito muito claro, mas que passa bem longe de informar a população. O foco é exclusivamente auferir lucros. E a tática utilizada para encher o bolso é quase sempre a mesma.
A receita é simples e covarde. Primeiro, cria-se a página. Em seguida, começa o metralhamento. A mira é apontada diretamente para gestores, prefeitos, presidentes de câmaras, entre outros. Tudo vira motivo para crítica pesada, denúncia apurada “nas coxas” e ataques orquestrados. A ideia é criar o caos, desgastar a imagem do político e gerar o pânico necessário para que o gabinete sinta a pressão das redes.
Uma das armas mais usadas nessa fase é o terrorismo orçamentário. Divulgam valores cheios de licitações sabendo perfeitamente que se tratam apenas de estimativas ou teto de gastos. Recursos que o gestor pode sequer vir a consumir. Mesmo assim, jogam a informação manipulada para a sociedade como se todo aquele dinheiro já tivesse sido sacado do cofre público.
É o famoso jogo do achaque digital. Bate-se forte para forçar uma conversa nos bastidores. A intenção final nunca foi cobrar transparência ou melhorias para a cidade, mas sim obrigar a gestão a fechar um contrato de divulgação ou garantir aquele “apoio cultural” mensal.
O milagre da transformação acontece no segundo em que o PIX da contratação cai na conta. Instantaneamente, a metralhadora de críticas se cala. O “jornalista/blogueiro” apaga as matérias pesadas, o perfil do Instagram muda o tom e o gestor, que até ontem era o pior da história, passa a ser tratado como um administrador exemplar. A crítica dá lugar a fotos sorridentes, coberturas de eventos oficiais e textos recheados de elogios que beiram o ridículo.
Mais do que isso: esses ditos “comunicadores”, que se sentem verdadeiros deuses intocáveis atrás de uma tela de celular, são capazes de qualquer atrocidade para defender o seu “novo patrão”. Chegam ao cúmulo de atacar e perseguir jornalistas sérios que continuam cumprindo o dever de fiscalizar. Viram verdadeiros cães de guarda da gestão que antes achacavam.
Essa mudança brusca de comportamento expõe a falta absoluta de ética de quem usa a comunicação como balcão de negócios. É a autêntica “ré de cantar pneus” que se assiste logo após o fechar das urnas ou a espera de um Pedido de Inserção (PI): antes, o candidato ou gestor levava “peia de porrete de jucá”; depois de fechar o acordo, passa a receber “massagem VIP”.
No fim das contas, quem sai perdendo é o cidadão, que consome uma informação vendida e maquiada achando que é jornalismo sério. Páginas que funcionam como balcão de chantagem prestam um desserviço à democracia e desrespeitam o público. A verdadeira imprensa fiscaliza por compromisso com a verdade, e não até o momento em que o preço da sua fita adesiva é pago pelo poder público.