Política
Crise no plenário coloca liderança de Motta à prova

O presidente da Câmara, Hugo Motta, inicia uma semana que poderá definir os rumos de sua gestão na Mesa Diretora. Após o protesto de aliados de Jair Bolsonaro — que tomaram o plenário por dois dias contra a prisão domiciliar do ex-presidente — o deputado paraibano terá de provar que ainda exerce liderança sobre a Casa.
A forma como conduziu a crise gerou dúvidas nos bastidores. Parlamentares, inclusive próximos a ele, reconhecem que a ausência de Motta em Brasília no primeiro dia de trabalho pós-recesso — quando estava em compromissos na Paraíba — contribuiu para o agravamento da situação.
Nem mesmo a invasão do plenário antecipou seu retorno à capital, o que, na avaliação de alguns, deixou o campo livre para que a tensão escalasse.
Agora, colegas afirmam que o desafio é reconquistar autoridade. Para isso, Motta precisará acelerar a votação de matérias estratégicas, como a reforma do imposto de renda, já pronta para análise, e aplicar sanções aos que impediram o funcionamento da Câmara na semana anterior.
Se conseguir entregar avanços concretos nos próximos dias, pode virar a página da imagem de fragilidade que se formou. Caso contrário, o questionamento sobre sua capacidade de controlar o plenário tende a se prolongar.