Política
De anti-oligarquia a candidato das oligarquias: o giro político de Allyson Bezerra

A política tem dessas ironias que o tempo se encarrega de expor. Em 2018, quando disputava seu primeiro mandato como deputado estadual pelo Solidariedade, Allyson Bezerra se apresentava como o rosto da ruptura.
Jovem, de origem humilde, discursando contra “as velhas oligarquias” que, segundo ele, travavam o Rio Grande do Norte. Vídeos da época mostram um candidato firme, convicto de que representava o oposto da política tradicional.
Mas o tempo passou — e o discurso também.
Eleito e reeleito prefeito de Mossoró com votação expressiva e já colocado no tabuleiro como pré-candidato a governador, Allyson agora trilha um caminho bem diferente daquele que o projetou: buscou justamente o apoio das mesmas oligarquias que dizia ser contra.
O que antes era combatido, agora é cortejado. O que antes era símbolo de tudo que precisava mudar, agora se torna peça estratégica para chegar ao Governo do Estado.

A transição é clara: de candidato contra as oligarquias para candidato das oligarquias.
Este movimento não é novidade na política brasileira — mas é sempre decepcionante quando acontece. Revela que muitos discursos de “renovação” funcionam bem em campanha, mas não sobrevivem ao apetite pelo poder.
Allyson muda o tom, o rumo e as alianças. A população muda apenas a pergunta: quem ele é, de fato — o jovem que denunciava as oligarquias ou o político que agora se abriga nelas?
Coisas da política. Coisas que o eleitor não esquece.