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METADE DO SALÁRIO VAI PARA A CESTA BÁSICA

Gastar metade do salário apenas para comprar a cesta básica deixou de ser uma percepção. Hoje, é a realidade de milhões de brasileiros.
Em média, um trabalhador precisa destinar 52% de um salário mínimo líquido para adquirir os alimentos básicos. O principal motivo é a alta dos preços. Nos últimos 12 meses, o grupo Alimentos e Bebidas acumulou inflação de 3,82%, segundo o IPCA.
Na comparação entre junho de 2025 e junho de 2026, o valor médio da cesta básica nas 27 capitais brasileiras aumentou 8,69%, chegando a R$ 779,95.
Na prática, isso significa que um trabalhador precisa dedicar quase 106 horas de trabalho por mês para comprar uma única cesta básica, considerando uma jornada de oito horas diárias, cinco dias por semana.
São Paulo lidera o ranking das capitais com a cesta básica mais cara do país. O custo médio chegou a R$ 965,47, exigindo cerca de 131 horas de trabalho para sua aquisição.
Enquanto isso, estudos apontam que o salário mínimo necessário para garantir o sustento de uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 8.110,92. O valor representa aproximadamente cinco vezes o salário mínimo nacional, atualmente em R$ 1.621, e é cerca do dobro do rendimento médio dos brasileiros ocupados.

Os números revelam uma realidade difícil de ignorar: o custo de vida cresce em ritmo superior ao poder de compra de grande parte da população, tornando cada vez mais desafiador colocar comida na mesa e manter o orçamento familiar em equilíbrio.