Política

ELEIÇÃO DE 2026 PARA GOVERNO DO RN REVIVE OS FANTASMAS DAS MEGAESTRUTURAS DE MOSSORÓ EM 2012?

Por em 8 de setembro de 2026 às 14:22:02

Quem acompanha a política potiguar há mais tempo certamente se lembra da histórica e emblemática disputa pela Prefeitura de Mossoró em 2012. De um lado, Cláudia Regina (DEM); do outro, Larissa Rosado (PSB).

O pleito ficou marcado pelo excesso de ostentação e pelo uso desmedido de poder econômico: estruturas milionárias nas ruas, comícios pomposos e até o uso de helicóptero cedido por empresário sem a devida prestação de contas à Justiça Eleitoral.

O desfecho daquela eleição virou um dos episódios mais marcantes da história jurídica e política do Estado. Cláudia Regina sagrou-se vitoriosa nas urnas, mas viveu uma saga sem precedentes nos tribunais.

Sob a vigilância rigorosa da Justiça Eleitoral local, com destaque para a atuação firme do juiz Herval Sampaio e decisões duras como a da juíza Ana Clarisse Arruda, a gestora acumulou incríveis 10 cassações de mandato em apenas 11 meses de gestão.

Apelidada nacionalmente de “prefeita Highlander” (em alusão ao guerreiro imortal do cinema por conseguir se manter no cargo através de liminares ), Cláudia Regina acabou definitivamente afastada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RN) em dezembro de 2013.

A lista de irregularidades comprovadas pelo Ministério Público Eleitoral incluiu prática de caixa dois, compra de votos, uso da máquina pública, abuso de poder político e econômico.

Passados catorze anos desse escândalo histórico, a atual corrida pelo Governo do Estado do Rio Grande do Norte em 2026 traz um incômodo e perigoso sentimento de déjà-vu.

Ao andar pelas ruas das principais cidades potiguares ou simplesmente ao rolar o feed das redes sociais (onde os próprios candidatos e seus apoiadores exibem e “entregam de bandeja” aparatos luxuosos), percebe-se que a cultura da ostentação eleitoral continua mais viva do que nunca. São eventos cinematográficos, carreatas com frotas suntuosas, estruturas gigantescas e uma logística que custa cifras astronômicas.

O grande ponto de reflexão para o eleitorado neste momento reside em uma incômoda comparação: o cenário de 2026 aparenta não contar, na mesma proporção, com a presença de magistrados e órgãos fiscalizadores com o mesmo nível de vigilância, proatividade e pulso firme que marcaram as ações em Mossoró no ano de 2012.

Enquanto isso, pelo que se percebe, estão escancarados abusos de poder econômico se repetem à vista de todos nas praças e nas telas dos celulares, fica a pergunta no ar: as instituições de fiscalização e a Justiça Eleitoral vão reagir com a firmeza necessária antes da consolidação das urnas, ou o Rio Grande do Norte assistirá passivamente à repetição da história?

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