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Estudo da FGV revela relação entre carteira assinada e Bolsa Família

Uma pesquisa recente realizada pela Fundação Getulio Vargas (FGV) trouxe dados inéditos sobre a dinâmica do mercado de trabalho brasileiro entre janeiro de 2023 e julho de 2026. O levantamento aponta que, de cada 100 postos de trabalho com carteira assinada gerados no país no período, 85 foram ocupados por pessoas cadastradas no programa Bolsa Família.
O estudo baseia-se no saldo líquido de empregos formais, que representa a diferença entre o total de contratações e o de demissões. Em termos absolutos, o país registrou 91,8 milhões de admissões frente a 86,4 milhões de desligamentos, resultando na criação líquida de aproximadamente 5,3 milhões de novas vagas formais.
Os pesquisadores esclarecem que a metodologia considera o saldo líquido e demonstra que a grande maioria desses postos recém-abertos teve como destinatários beneficiários do programa de transferência de renda.
Os achados da FGV colocam em xeque a narrativa frequente de que programas de assistência social desestimulam a busca por ocupação profissional. O mecanismo de proteção social permite que o trabalhador continue vinculado ao Bolsa Família mesmo após conseguir um emprego formal, desde que a renda per capita da família permaneça abaixo do limite de R$ 218 mensais estabelecido pelas regras do programa.
Por outro lado, o estudo pondera que o resultado não indica que a totalidade dos beneficiários esteja inserida no mercado de trabalho, mas sim que o grosso dos novos postos formais criados no intervalo analisado absorveu esse público.
A análise também pontua uma limitação metodológica: o levantamento identifica se o trabalhador integrava o programa no momento exato da admissão ou demissão, sem rastrear automaticamente se o auxílio continuou sendo pago indefinidamente após a formalização do contrato.