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DE “PASSAR O RODO” A “A VIRADA CHEGOU”: OS JINGLES COM A MARCA MOSSOROENSE

Por em 15 de outubro de 2026 às 09:53:54
Eleições 2014 no Ceará - Fotos - UOL Eleições 2014

O que faz uma música de campanha atravessar uma eleição e continuar na memória do eleitor por anos? Em Mossoró, a resposta passa por criatividade, ritmo, identificação popular e uma boa dose de forró.

Conhecido pela força de suas manifestações culturais, o Nordeste também tem uma tradição marcante na produção de jingles políticos. No Rio Grande do Norte, Mossoró se destaca nesse cenário, onde músicas de campanha ganham as ruas, embalam passeatas, animam carreatas e se espalham pelas redes sociais.

Algumas desses jingles ultrapassam o papel de simples propaganda eleitoral e se transformam em verdadeiros sucessos populares. E, por trás de parte dessa história, está uma voz conhecida dos amantes do forró: Diassis Alegria.

Os jingles que entraram para a história de Mossoró

A memória política mossoroense guarda jingles que marcaram campanhas e ajudaram a fixar nomes e números na cabeça do eleitor.

Uma delas foi o jingle da campanha de Larissa Rosado, Larissa 40, que se destacou por citar os bairros de Mossoró. A estratégia aproximava a música do cotidiano da população e transformava a geografia da cidade em um recurso de comunicação eleitoral.

Outro exemplo foi “Passar o Rodo”, associado à campanha de Claudia Regina. Com ritmo contagiante e forte apelo popular, a música embalou carreatas e ficou marcada na memória política local.

São exemplos de como um jingle bem construído pode ir além da divulgação de uma candidatura: ele cria uma identidade sonora, facilita a memorização e ajuda a transformar a campanha em um acontecimento nas ruas.

Os jingles que embalam a atual temporada eleitoral

A tradição continua. Na atual temporada eleitoral, novas músicas voltaram a disputar espaço nas ruas, nos eventos políticos e nas redes sociais.

Na campanha de Bibiano, candidato a deputado estadual, dois jingles com refrões repetitivos ganharam destaque entre os apoiadores.

“É 15.555, Bibiano, eu e você”;

“O povo quer Bibiano”.

Já na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte, a campanha de Cadu de Lula apostou em duas músicas de forte apelo popular que viralizaram.

“Tá todo mundo com Cadu”;

“A virada chegou”.

Com frases curtas, repetição e melodias fáceis de acompanhar, os jingles procuram cumprir uma missão importante: fazer com que o eleitor reconheça a candidatura e associe a música ao nome que está nas urnas.

Diassis Alegria: a voz conhecida por trás dos jingles

Se o nome Francisco de Assis Saldanha da Silva talvez não seja imediatamente reconhecido por todos, o apelido artístico Diassis Alegria desperta a memória de quem acompanha o forró e a música popular da região.

O artista construiu sua trajetória no universo do forró eletrônico, especialmente durante as décadas de 1990 e 2000, período em que o gênero conquistou espaço nas festas e nos palcos nordestinos.

Sua passagem pelo Forró Cavalo de Pau, no fim dos anos 1990 — especialmente entre 1997 e 1998 — é um dos capítulos destacados dessa trajetória. Na banda, dividiu os palcos com nomes como Francylene Mendes, Hélio Barbosa e Canindé.

Diassis também teve passagem pela Brasas do Forró, conhecida pelo ritmo acelerado e pela mistura de referências musicais que popularizou o chamado “forrónejo”. Mais tarde, participou da criação e integrou o projeto Cavalo Fantástico.

Essa experiência nos palcos e a familiaridade com melodias populares ajudam a compreender sua conexão com um formato musical que exige ritmo, identidade e capacidade de permanecer na memória: o jingle eleitoral.

Quando a música encontra a política

A relação entre forró e campanha eleitoral não acontece por acaso. O ritmo aproxima a mensagem do público, enquanto refrões curtos e repetitivos facilitam a memorização dos nomes, números e slogans dos candidatos.

Em uma disputa marcada pela grande quantidade de informações, a música funciona como uma forma de comunicação direta. Ela acompanha caminhadas, carreatas e comícios, além de ganhar novas formas de circulação no ambiente digital.

É nesse encontro entre entretenimento, cultura popular e comunicação política que artistas como Diassis Alegria encontram espaço para deixar sua marca.

Pessoa simples, humilde.

Do palco à carreira solo

Atualmente, Diassis segue em carreira solo com o projeto Diassis Alegria e Banda, realizando shows e revisitando sucessos associados ao chamado “forró das antigas”.

Ao mesmo tempo, sua atuação com músicas eleitorais conecta sua experiência artística a outro aspecto da cultura popular potiguar: a trilha sonora das campanhas.

Em Mossoró, em em várias cidades do RN, onde alguns jingles continuam vivos na memória de quem acompanhou diferentes disputas eleitorais, a música mostra que também faz parte da história política da cidade.

Porque, quando o assunto é eleição, uma campanha pode terminar,  mas aquele refrão que todo mundo aprendeu a cantar nem sempre sai da cabeça.

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