Política

VOTO É EMPRÉSTIMO, NÃO PATRIMÔNIO: A LIÇÃO DAS URNAS PARA ALLYSON E OUTROS

Por em 4 de novembro de 2026 às 15:43:00
Álvaro judicializa disputa e Allyson acusa tentativa de tapetão

Ao encerrar a disputa pelo Governo do Estado do RN com mais de 1 milhão de votos (49,23%), Allyson Bezerra experimentou a sensação agridoce que a política costuma reservar aos que tentam dar passos maiores que as pernas.

Reconheceu a vitória do adversário Cadu de Lula no segundo turno, ligou para parabenizar e agradeceu a votação. Mas há uma lição fundamental e dolorosa no resultado das urnas que precisa ser encarada sem anestésia: voto é empréstimo temporário, nunca patrimônio pessoal.

A mesma ilusão que tomou conta do Palácio do Resistência após os consagradores 113 mil votos na reeleição para prefeito de Mossoró serve agora de alerta para o cenário estadual. Cada eleição é uma história própria.

O eleitor não é propriedade de político algum. Inclusive das oligarquias que ele se elegeu a primeira vez como deputado estadual e em seguida prefeito de Mossoró, combatendo. O eleitor confia o voto a um candidato para um momento específico, sob condições específicas.

Quando as urnas fecham, a procuração caduca e a conta é zerada.

O erro de achar que a conta eleitoral é perpétua

Parece que a votação massiva conquistada em Mossoró criou uma falsa sensação de blindagem e invencibilidade. Imaginou-se que o eleitorado potiguar marcharia de olhos fechados com o ex-prefeito rumo ao Governo do Estado apenas pela força do marketing ou pelo recall municipalista.

Só que a política estadual joga em outra frequência.

Conectividade não é cheque em branco: O apoio recebido em uma eleição municipal não se transfere automaticamente para uma disputa ao Governo do Estado.

Voto com prazo de validade: O cidadão empresta a confiança por quatro anos para um projeto local, mas cobra o preço quando percebe vaidade, pré-maturidade na renúncia ou abandono de compromissos.

Allyson Bezerra atingiu a marca respeitável de 1.040.399 votos no RN, precisou rastejar feito calango para bater no teto ao enfrentar uma articulação que soube ler melhor as nuances do eleitorado norteriograndense. Os mais de um milhão de votos obtidos são um sinal de força, sem dúvida, mas não pertencem a ele, ou poderia ser qualquer outro. Pertencem ao eleitor que pode muito bem mudar de lado ou de ideia na próxima esquina política.

Política não aceita soberba, e o eleitor papa-jerimum mandou o seu recado sem pirotecnia, silenciosamente, dizendo que o voto é um contrato temporário de gestão, e não uma escritura pública de posse.

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