Política
O Palácio da Resistência mudou de prefeito, mas a ordem vem do ex?

Quem esperava autonomia ou qualquer vestígio de independência na nova gestão de Mossoró já pode ajustar as expectativas. Em sua primeira grande movimentação no xadrez político do Palácio da Resistência, o prefeito Marcos Medeiros mandou um recado alto e claro para a cidade: a caneta mudou de mão, mas o comando continua no mesmo endereço.
A manobra foi costurada nos bastidores com precisão cirúrgica. Medeiros puxou o vereador Thiago Marques (que funciona como uma espécie de coringa) para assumir a Secretaria Municipal de Governo. À primeira vista, uma simples reorganização da equipe de gestão. Na prática, o movimento perfeito para abrir espaço na Câmara Municipal para o primeiro suplente do partido.
E quem é o beneficiado que assume a cadeira no Legislativo? Trata-se de Leonardo Martins.
Para quem não liga o nome à pessoa, o detalhe de ouro: Leonardo é primo do ex-prefeito Allyson Bezerra.
A arcaica política do preposto
A movimentação expõe sem pudores a verdadeira dinâmica de poder que rege o município. Em vez de priorizar critérios estritamente técnicos ou uma articulação pautada pelo interesse público, a máquina municipal foi movimentada para garantir a acomodação da família e do grupo político do padrinho.
Na prática, a dança das cadeiras deixa evidente que Marcos Medeiros atua como verdadeiro preposto no Executivo. A mensagem interna é de que nenhuma decisão de peso é tomada sem antes passar pelo crivo de Allyson Bezerra.
Enquanto a população assiste a velhas táticas de balcão de negócios travestidas de “reorganização administrativa”, a Câmara ganha mais um integrante familiar, ligado a manutenção do poder de bastidor. O Palácio da Resistência muda de ocupante no papel, mas a chefia de fato continua bem viva e mandando dizer.