A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que discute o fim da escala de trabalho 6x1 voltou oficialmente para o centro das articulações políticas em Brasília. Ontem, 6, o Senado Federal realizou a primeira sessão de debates sobre a matéria, abrindo o ciclo regimental necessário antes da votação em plenário.
Ao todo, o rito exige a realização de cinco sessões de discussão. Demonstrando pressa para destravar o tema, o presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União), sinalizou que pretende realizar a votação ainda antes do segundo turno das eleições.
Para cumprir o cronograma apertado, Alcolumbre já assumiu o compromisso de agendar mais duas sessões de debate para a próxima semana, mantendo a pressão sobre o plenário em pleno período eleitoral.
Nas eleições gerais, os eleitores brasileiros renovaram dois terços do Senado Federal, colocando em disputa 54 das 81 cadeiras da Casa. O pleito foi marcado por forte polarização e intensa atenção pública, impulsionada pelas discussões em torno de investigações e críticas direcionadas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Como o Senado é a única Casa com competência constitucional para pautar e votar processos de impeachment de ministros da Suprema Corte, pedidos que somavam 109 protocolos travados sob a gestão anterior de Davi Alcolumbre , a composição da nova legislatura ganhou peso estratégico nacional.
O resultado consolidou o avanço expressivo da direita nas urnas, redefinindo o mapa de forças políticas pelo país:
Sudeste: O PL destacou-se ao conquistar quatro das oito vagas em disputa, garantindo dobradinha no Rio de Janeiro, uma em São Paulo e outra em Minas Gerais. O PT elegeu Marília Campos em solo mineiro.
Nordeste: O PT assegurou 5 das 18 vagas em disputa na região, vencendo as duas na Bahia, uma em Pernambuco, uma no Rio Grande do Norte e outra em Sergipe. Os demais assentos dividiram-se entre a direita, o centrão e partidos de centro-esquerda.
Norte: O PL levou 5 senadores, incluindo dobradinha em Rondônia, enquanto o MDB de Helder Barbalho garantiu espaço no Pará com apoio petista. Em Alagoas, a disputa marcou a derrota de Renan Calheiros após 32 anos de mandato, superado por Marina Jhc e Arthur Lira.
Centro-Oeste e Sul: O PT não conseguiu eleger nenhum senador nos estados dessas regiões. O PL e forças de direita dominaram as vagas em disputa, incluindo a eleição de Michelle Bolsonaro no Distrito Federal e fôlego expressivo em estados como Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Norte.
No cenário do RN, a disputa pelas cadeiras no Senado resultou na reeleição do senador Styvenson Valentim (Podemos) e na vitória de Samanda (PT), desenhando uma representação dividida entre o perfil independente/oposicionista e a base governista federal.
Com o término da apuração, o Senado passa a contar com uma forte renovação: 40 das 54 cadeiras em disputa serão ocupadas por novatos, enquanto 14 senadores conseguiram a reeleição para mandatos de oito anos.
No balanço partidário geral, o PL consolidou-se disparado como a maior bancada, acumulando 28 cadeiras no total. O MDB garantiu a segunda maior força com 8 assentos, seguido pelo PT com 9 senadores, enquanto o PSD registrou a maior retração, despencando de 13 para 5 parlamentares. Essa nova correlação de forças torna altamente provável a eleição de um comando alinhado à direita para a presidência da Casa, alterando o tom das sabatinas de indicados ao STF, o controle do endividamento fiscal e a análise de eventuais pedidos de impeachment.
VETERANOS E NOVATOS: COMO FICA O SENADO?
Os novos parlamentares terão mandato de 8 anos e se juntarão aos 27 senadores eleitos em 2022, cujos mandatos continuam até 2030. Ao todo, 40 das 54 vagas serão ocupadas por novos nomes, enquanto 14 senadores se reelegeram.
Com 19 senadores eleitos neste domingo, o PL fica como o maior partido disparado, totalizando 28 cadeiras — somando com os eleitos em 2022 que continuam na Casa por mais 4 anos.
O MDB elegeu 7 senadores e garantiu a segunda maior força, com 8 cadeiras no total;
O PT elegeu 6 nomes e manteve sua bancada com 9 senadores no total;
O PSD foi o principal derrotado, encolhendo drasticamente e despencando de 13 para apenas 5 senadores.
Os cidadãos brasileiros definiram nas urnas os 513 deputados federais que assumirão assentos na Câmara a partir de fevereiro de 2027. O preenchimento das vagas segue o critério proporcional à população de cada unidade da federação.
Enquanto estados populosos como São Paulo elegem 70 representantes, o Rio Grande do Norte elege 8 deputados federais, sendo que 4 foram reeleitos e três novatos, refletindo o dinamismo e as novidades na representação política no estado.
Natália Bonavides (PT): 215.509 votos (reeleita)
Nina Souza (PL): 185.248 votos
Benes Leocádio (União): 171.396 votos (reeleito)
Sargento Gonçalves (PL): 154.073 votos (reeleito)
General Girão (PL): 133.258 votos (reeleito)
Dr. Bernardo (PV): 130.835 votos
João Maia (PP): 123.040 votos (reeleito)
Thabatta Pimenta (PV): 92.743 votos
Na disputa legislativa, a contagem de votos opera com foco na legenda partidária. As siglas acumulam os votos nominais e de legenda, puxando os candidatos mais votados em cada estado de acordo com o total de cadeiras conquistadas.
Essa engrenagem frequentemente gera debates sobre a dinâmica do sistema proporcional, onde o desempenho global de um partido pode influenciar a eleição de nomes específicos.
Entre os grandes movimentos nacionais, o PL destacou-se ao formar a maior bancada, concentrando candidaturas com votações expressivas que quebraram marcas históricas anteriores.
Nikolas Ferreira (PL-MG) - 27,20% dos votos do estado: 3.119.161
Lucas Pavanato (PL-SP) - 12,82% dos votos do estado: 3.038.438
Erika Hilton (PSOL - SP) - 6,73% dos votos do estado: 1.596.472
André Fernandes (PL - CE) - 12,40% dos votos do estado: 684.372
Julia Zanatta (PL-SC) - 13,15% dos votos do estado: 560.223
Paralelamente, o PT consolidou-se na segunda posição em tamanho de bancada, evidenciando a continuidade de um panorama político polarizado, seguido por outras grandes forças partidárias como União, PP, PSD, Republicanos, MDB, Podemos, PSB e PCdoB.
Os parlamentares eleitos terão mandatos de quatro anos com início em fevereiro de 2027, tendo como missões centrais a representação popular, a elaboração de leis, a fiscalização do Poder Executivo e a prerrogativa de deliberar sobre processos de impeachment presidencial conforme os critérios constitucionais.
No âmbito institucional, a primeira grande articulação da nova legislatura ocorrerá na escolha da presidência da Casa, um cargo com influência decisiva sobre a tramitação e priorização da agenda legislativa.