Política
Acabou a época do “pode ir que dá certo”

A política do Rio Grande do Norte vive uma temporada curiosa. E, para muitos pré-candidatos, angustiante. Entramos na era da “videntologia”.
O fenômeno é claro: salas e escritórios luxuosos tornaram-se palcos de romarias em busca de respostas que o cenário eleitoral — e até jurídico — parece não querer dar.
Os personagens centrais dessa trama são os antigos “gurus”, antes chamados de caciques ou herdeiros das tradicionais oligarquias. Homens que, no passado, ostentavam o poder de “trancar” pautas e definir destinos com um simples aperto de mão, agora parecem ter perdido a bola de cristal.
O motivo? O temor do qüiproquó. No olho de um furacão em que decisões políticas e judiciais, bem como as novas regras do jogo, tornaram-se cada vez mais imprevisíveis, os garantidores de ontem viraram os cautelosos de hoje.
A cena tem se repetido com frequência. Alguns pré-candidatos, ansiosos por uma promessa de segurança política ou jurídica, escutam o que antes seria impensável. O “guru”, ajustando os óculos e recuando na cadeira, dispara em bom carimbó potiguar:
“Meu bichim, olhe… com esse cenário aí, não tenho como te dar garantia de nada.”
O recuo desses “videntes” marca o fim de uma era em que a palavra dos chefes políticos valia mais que o Diário Oficial.
Hoje, no Rio Grande do Norte, quem busca garantias para o futuro político está descobrindo que, na videntologia do poder, a única previsão certeira é a incerteza.
Como lembraria Carlos Drummond de Andrade: e agora, José?