Tibau
Carnaval em Tibau só acontece em ano de eleição municipal

O silêncio das ruas em Tibau neste período de carnaval chama atenção. Não apenas pela ausência da folia, mas pela memória recente que ainda ecoa. A última edição da festa promovida pela Prefeitura aconteceu em 2024, justamente em ano eleitoral. Em 2025 e agora novamente, o cenário se repete sem nenhuma programação oficial.
O contraste escancara uma pergunta inevitável: por que a festa só apareceu quando havia eleição? Em 2024, a gestão municipal fez questão de projetar o evento como um grande sucesso, com ampla divulgação e narrativa de grandiosidade, quase como se Tibau tivesse se tornado um dos polos do litoral potiguar. A vitrine foi montada, o discurso foi amplificado e a festa ganhou status de marco administrativo.
Mas, passado o período eleitoral, o que ficou foi o vazio. Sem continuidade, sem tradição fortalecida e sem política cultural consolidada, a folia parece ter servido mais como ferramenta estratégica do que como investimento duradouro no calendário turístico e cultural da cidade.
Carnaval não se constrói em um único ano, muito menos em ritmo eleitoral, e a gestôôôôra sabe disso, ou pelo menos deveria saber.
Cidades que consolidam a festa o fazem com planejamento, constância e identidade. Quando há interrupções sucessivas, a percepção pública muda e o evento deixa de ser cultura e passa a soar como conveniência.
E em Tibau, a leitura que se fortalece é justamente essa. Para muitos, o carnaval não desapareceu por falta de potencial, mas por falta de prioridade. Afinal, quando interessa, ele acontece. Quando não, some do mapa.
Em Tibau o carnaval é diferente. O ano todo, todos os anos.