Política

Acabou a época do “pode ir que dá certo”

Por em 20 de fevereiro de 2026 às 09:07:05

A política do Rio Grande do Norte vive uma temporada curiosa. E, para muitos pré-candidatos, angustiante. Entramos na era da “videntologia”.

O fenômeno é claro: salas e escritórios luxuosos tornaram-se palcos de romarias em busca de respostas que o cenário eleitoral — e até jurídico — parece não querer dar.

Os personagens centrais dessa trama são os antigos “gurus”, antes chamados de caciques ou herdeiros das tradicionais oligarquias. Homens que, no passado, ostentavam o poder de “trancar” pautas e definir destinos com um simples aperto de mão, agora parecem ter perdido a bola de cristal.

O motivo? O temor do qüiproquó. No olho de um furacão em que decisões políticas e judiciais, bem como as novas regras do jogo, tornaram-se cada vez mais imprevisíveis, os garantidores de ontem viraram os cautelosos de hoje.

A cena tem se repetido com frequência. Alguns pré-candidatos, ansiosos por uma promessa de segurança política ou jurídica, escutam o que antes seria impensável. O “guru”, ajustando os óculos e recuando na cadeira, dispara em bom carimbó potiguar:

“Meu bichim, olhe… com esse cenário aí, não tenho como te dar garantia de nada.”

O recuo desses “videntes” marca o fim de uma era em que a palavra dos chefes políticos valia mais que o Diário Oficial.

Hoje, no Rio Grande do Norte, quem busca garantias para o futuro político está descobrindo que, na videntologia do poder, a única previsão certeira é a incerteza.

Como lembraria Carlos Drummond de Andrade: e agora, José?

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