Política
Quando o autor desmonta sua própria narrativa

Não é sobre a operação da Polícia Federal. É sobre narrativa. E, sobretudo, sobre como ela é construída e desmontada pelo próprio autor.
E, mesmo que soe redundante, é preciso começar do começo.
Para se eleger deputado, Allyson Bezerra construiu uma narrativa clara: o combate às oligarquias e aos poderosos da política potiguar. Convenceu. Foi eleito.
Na sequência, levou esse mesmo discurso para a disputa pela Prefeitura de Mossoró, tendo Rosalba Ciarlini como símbolo daquilo que dizia combater. Venceu. Governou. Se reelegeu. Está no cargo.
O tempo passou. E, com ele, a narrativa começou a se desfazer. Ao se aproximar justamente das forças políticas que antes classificava como oligarquias, Allyson Bezerra passou a negar, na prática, o discurso que o projetou. Esse movimento não é aleatório. Tem um objetivo claro e conhecido nos bastidores: a construção de um projeto para o Governo do Estado.
Até aqui, política. Alianças mudam. Discursos também. O problema surge quando a narrativa entra em contradição com ela mesma.
Após a deflagração da Operação Mederi, que incluiu diligência em sua residência, o prefeito passou a sustentar publicamente a narrativa de que a ação teria ocorrido em ano eleitoral e justamente no momento em que ele lidera pesquisas. Não acusa ninguém diretamente. Não aponta responsáveis. Mas sugere.
E é aí que a contradição se revela.
No mesmo dia, Allyson Bezerra compartilhou duas postagens: uma matéria da UOL e um comentário político exibido na GloboNews. Ambas reforçam a ideia de que ele seria uma ameaça ao PT no Rio Grande do Norte.
Ou seja: sem dizer nomes, a narrativa foi apresentada. Sem acusar formalmente, a sugestão foi feita. Sem sustentação jurídica, o discurso foi lançado.
Mais uma vez, a própria narrativa criada por ele não resistiu ao tempo.
Dessa vez, não durou nem 24 horas. É matemática, basta observar as postagens feitas no mesmo dia para perceber a incoerência.