Política
Aceno de Lula por vice do MDB expõe guerra regional no partido

A articulação do presidente Lula para ter um vice do MDB em 2026 escancarou divisões internas na sigla e expôs contradições regionais, com destaque para o Rio Grande do Norte.
Lideranças do Norte e do Nordeste defendem a aliança como forma de ampliar a coalizão governista. Já uma ala influente no Sul e Sudeste resiste à aproximação com o PT.
O movimento ganhou força após Renan Calheiros afirmar que Lula manifestou, em conversa reservada na Granja do Torto em dezembro de 2025, o desejo de ter um vice do MDB, conforme informação revelada por O Globo.
Entre os nomes ventilados estão Renan Filho e Helder Barbalho. Renan Filho, contudo, já indicou que deixará o ministério para disputar o governo de Alagoas, o que reduz sua viabilidade na chapa nacional. No Planalto, avalia-se que a oferta da vice seria o principal instrumento para unificar o MDB, apesar do risco de derrota em convenção.
A estratégia integra a tentativa de Lula de consolidar uma base com o Centrão, inclusive buscando reduzir resistências em siglas como o PP, com reaproximação de figuras como Ciro Nogueira.
No Rio Grande do Norte, porém, o cenário vai na contramão. O vice-governador Walter Alves, do MDB, anunciou rompimento com o PT da governadora Fátima Bezerra e fechou apoio ao pré-candidato Allyson Bezerra (UB), indicando Hermano Moraes como vice.
A decisão evidencia a contradição do MDB potiguar frente à costura nacional liderada por Lula.