Política

PF APONTA INDÍCIOS DE TRÁFICO DE INFLUÊNCIA EM GRUPO LIGADO A LULINHA E AO MINISTÉRIO DA SAÚDE

Por em 22 de agosto de 2026 às 09:44:48

A Polícia Federal (PF) indicou que um grupo formado por Fábio Luís Lula da Silva (conhecido como Lulinha), filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a lobista Roberta Luchsinger, o empresário Fernando Bittar, Marco Aurélio Santana Ribeiro (o “Marcola”) e Antônio Carlos Camilo Antunes (o “Careca do INSS”) teria atuado para facilitar negócios junto a órgãos do governo federal.

Para as autoridades investigativas, os elementos colhidos apresentam nítidos sinais do crime de tráfico de influência, prática caracterizada pelo uso de prestígio, relações ou proximidade com agentes públicos para a obtenção de vantagens indevidas na administração pública.

Entre o acervo de materiais e mídias analisados pela perícia, destacam-se trocas de mensagens de texto e áudio armazenadas em nuvem. Em uma das conversas recuperadas pela polícia, a lobista Roberta Luchsinger chega a relatar que teria sido uma “das poucas pessoas que o Lula chamou” e perguntou em qual área do governo ela gostaria de atuar.

Na sequência do diálogo, a empresária afirma estar satisfeita na posição em que se encontra, citando a parceria de negócios que mantém com o filho do presidente. Sobre a atuação do parceiro no esquema, Luchsinger pontua: “Fábio não faz nada. Ele só entra em campo qdo precisa”.

As apurações também revelaram a elaboração de uma minuta de contrato, encaminhada por Luchsinger a Marcola. O documento previa intermediar a venda de medicamentos à base de canabidiol para o Ministério da Saúde, em um negócio estimado em até R$ 626 milhões.

Diante do desdobramento do caso, a Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se no sentido de que um dos inquéritos contra Lulinha, focado nas tratativas de fornecimento da cannabis medicinal, não deveria tramitar no Supremo Tribunal Federal (STF), mas sim ser declinado para a primeira instância da Justiça Federal.

A fundamentação é técnica: não há detentores de foro por prerrogativa de função entre os investigados diretos do núcleo. Contudo, a tendência do relator da matéria na Corte, ministro André Mendonça, é indeferir o pedido e manter as apurações sob a jurisdição do Supremo.

Em meio à repercussão dos relatórios policiais, o presidente Lula cumpriu agenda de reunião com o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que atua na defesa de Lulinha. A pauta oficial do encontro tratou da coordenação da campanha eleitoral na capital paulista, visto que o jurista é uma das lideranças da equipe em São Paulo.

Durante a conversa, o chefe do Executivo teria reforçado que seu filho deve permanecer totalmente à disposição das autoridades judiciais e que a apuração não deve ser objeto de arquivamento sumário. Paralelamente ao posicionamento público, a equipe jurídica do investigado trabalha na construção de teses técnicas com o objetivo de pleitear o arquivamento do inquérito junto às instâncias competentes.

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