Política
O PREÇO DO CALANGO: OS 58 MIL VOTOS QUE TIRARAM A VITÓRIA DE ALLYSON BEZERRA

Na política, a omissão costuma cobrar uma conta alta. No segundo turno para o Governo do Rio Grande do Norte, o resultado das urnas deixou uma lição matemática e estratégica impecável, a de que a neutralidade de Allyson Bezerra no cenário nacional foi o fator decisivo para a sua derrota. Queira ele ou sua torcida aceitar ou não.
A apuração final confirmou a vitória de Cadu de Lula com 1.073.024 votos (50,77%), contra 1.040.399 votos (49,23%) de Allyson Bezerra. Uma diferença de 32.625 votos.
Mesmo ciente da forte polarização no estado, Allyson optou por não se posicionar publicamente nem declarar apoio na eleição presidencial, buscando se justificar com exemplos de eleições em outros estados. A estratégia visava proteger sua base mista de eleitores. No entanto, o eleitor de direita, sem uma orientação clara do seu candidato a governador, deixou o recado direto nas urnas:
32.122 eleitores digitaram 00 na urna para governador.
26.671 eleitores digitaram 22 na urna para governador.
Ao todo, 58.793 eleitores do RN anularam o voto digitando “00” ou o “22” de Flávio Bolsonaro na tela para governador. Um número 1,8 vez maior do que a vantagem obtida por Cadu de Lula.
Esses quase 59 mil eleitores foram às urnas dispostos a votar contra o grupo governista, mas, pela ausência de uma sinalização clara da campanha de Allyson com a pauta conservadora, preferiram o protesto do voto nulo.
E não venham dizer que ele não sabia do risco que corria ao ficar em cima do muro. Ele sabia, sim. Afinal, acompanha tudo atentamente através de pesquisas e números de bastidor, sabendo muito bem que o eleitorado estava dividido e que a margem era milimétrica.
A tentativa de agradar a todos acabou sendo um erro fatal na reta final, pois enquanto Cadu canalizou integralmente o eleitorado de Lula, Allyson deixou órfão o eleitor de Flávio.
No fim das contas, a lição das urnas foi implacável. Como o “calango azul” preferiu ficar em cima do muro para não se indispor com ninguém, a política não perdoou e passaram o rodo nele, e ele caiu.